domingo, 8 de fevereiro de 2009

Pó.

Quando eu era pequena, minha mãe arrumava meu guarda-roupa por tamanho, estação, cores e freqüência de uso das peças. Era tudo muito bem arrumadinho e facilitava muito a minha vida ter toda esta organização por aqui.
Mas a gente cresce e é obrigado a arrumar as próprias bagunças, colocar o mínimo de ordem na sua vida para que ela possa seguir em frente, dividida por intensidade, freqüência e importância... Se não é capaz de tudo ir para as cucuias.
Minha vida tava assim, bagunçada igualzinho o meu armário, meu quarto, minha bolsa e tudo que eu uso para viver, até a minha cabeça estava bagunçada, cheia de tranqueira e coisa para colocar fora. Precisei de tempo e paciência para desfazer a bagunça que o tempo e a minha falta de zelo fizeram, coloquei tudo pra baixo e dei uma geral.
Minha vida está começando outra vez. E meu quarto? Muito bacana. Estava precisando colocar a velharia para fora. As idéias no lugar.
*coisas do meu quarto na foto.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Para o céu.


Tenho me sentido tão pequena diante do mundo, com as pernas e braços amarrados para todas as possibilidades que estão surgindo. Sinto-me podada para o que é novo e maravilhoso na minha vida.

Eu quero viver.

Passei a vida toda dependente demais de alguém, depositando todas as expectativas em um ser humano só, e o pior, em alguém que não em mim.

Quero voar.

Meu pai não viu um montão de coisas, não teve tempo nem liberdade para sair pelo mundo, para fazer coisas novas ou ser diferente. Sobreviveu dia após dia sendo certo, honesto e cheio de virtudes, para não servir de mau exemplo para quem quiser que seja, e até hoje, eu não sei quem ele achava que estava enganando. Eu que não era.

Não me enganei com ele e nem comigo mesma. Sei que não quis de verdade todo aquele sonho de vida “normal”, só embarquei naquela por saber que mais cedo ou mais tarde, minha gana por liberdade me salvaria. Eu me salvei.

Vou sair fazendo e vivendo. Sendo o mais honesta que posso comigo mesma e com os outros, ser melhor e maior. A vida é uma só, não é fácil, mas tem sido incrível. Pena que é uma só, que tenho só uma dela para marcar o mundo, para ser inesquecível e única, para aprender a voar sem asas. Uma só. Uma bala no revólver, sua chance de acertar o alvo ou o inimigo, salve-se com ela ou se perca se não tiver coragem. Eu? Eu apertei o gatilho... Coloquei o pé no acelerador e saí vivendo.

Pai. Essa vai pra ti.