Crescer nem sempre, ou quase
nunca, significa conseguir suprir todas as expectativas que criamos durante os
dias e meses que planejamos os pequenos, médios ou até grandes acontecimentos
das nossas vidas. Mas algumas vezes, poucas até agora, a vida me surpreendeu
com presentes e acontecimentos que nem de longe eu poderia imaginar serem
possíveis.
Quando por exemplo eu o conheci,
não queria me envolver com ninguém, até o instante que o vi. Não me apaixonei
imediatamente por ele, mas soube que a partir daquele momento, não tinha mais
vontade de ficar distante.
Depois eu mesma, me surpreendi ao
querer partir. Um dia abandonei tudo, passei por barras que poucos da minha
idade passaram, enfrentei todas quase sempre sozinha. O vi esporadicamente, uma
vez, a cada cinco meses, a cada semestre, trimestre ou quando eu não estava
quase sucumbindo à loucura dos outros, ou a minha própria só por diversão.
Com o passar dos anos fiquei cada
vez mais distante, mais estrangeira para algumas pessoas, inclusive para ele,
que quase sempre foi o mesmo. Mas com o tempo, ele também foi mudando e ficando
cada dia mais à margem da pessoa que um dia eu havia me distanciado por opção.
Foi quando me peguei sendo uma
pessoa diferente, que do dia para a noite começou a ter certeza das coisas que
queria, como também começou descartar todas as que não mais me faziam bem. E aí
me vi querendo viver perto dele outra vez, que por sorte e acaso, também queria
viver mais perto de mim, para sempre desta vez.
Dois meses depois vejo que crescer
nem sempre, ou quase nunca, significa conseguir suprir todas as expectativas
que criamos, mas sim superá-las.
