quarta-feira, 29 de abril de 2009

Arctic


 
Era noite, cerração forte e eu tinha três caminhos possíveis para voltar ao meu doce lar: O seguro que era longo,o meio perigoso que era um pouco mais rápido e o ultra perigoso que me levaria até a minha casa em instantes. E eu como completa descrente de que estatísticas iriam chegar até a minha pessoinha, tratei logo de ir pelo caminho que era meio perigoso. E isso quer dizer: Ele era o mais deserto e o segundo mais rápido.
E lá eu estava, caminhando naquela longa e escura rua... Quando do nada, do breu total, surge um rapaz lá na frente, no início e vindo em minha direção. Logo pensei:
“ Ai meu Deus! Ele ta com cara de marginal, drogado e fissurado por pescocinhos alheios!!!! Quero minha a mãeeee”.
Ele caminhava calmamente, enquanto eu tremia e pensava em mil barbaridades possíveis:
“Eu posso discar o 190 e se ele piscar... Eu ligo pros “Homi”!!! Daí eles rastreiam o meu numero e quando chegarem por aqui, os pedacinhos do meu corpo já vão estar espalhados por todo o quarteirão... Mel dels! [e essa expressão se repetiu mais de mil vezes até que eu conseguisse pensar em mais algo]... Posso fingir que estou ligando pro meu namorado que está me esperando na outra esquina... Mas...Mas... Eu não tenho namorado! E não sei mentir pra estranhos!”
Pensei tanto e fiquei tão amedrontada por não ouvir os conselhos da minha mãe, que nem vi que o rapaz estava mais próximo do que eu imaginava. Eu já podia ver o rosto dele, seu cabelo e suas roupas. Depois de olhar para ele, pude pensar melhor:
“CASA COMIGO!!!???”
Posso descrevê-lo como um rapaz alto, com barba por fazer, com um lindo chapéu, uma jaqueta militar MARAVILHOSAMENTE roxa e não me peçam para explicar que era linda sim aquela combinação, e claro, para finalizar o All Star Preto e o Player do Celular tocando Arctic Monkeys.
Andei até a esquina e olhei para trás e no mesmo instante, acreditem se quiserem, ele olhou pra MIM!  E eu ganhei uma boa noite.
**Bom dia, boa tarde e boa noite \o/

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Família


Minha mãe e eu temos uma relação muito saudável, quase beirando a perfeição se vista de longe. Nós, quando não concordamos com o que a outra faz, temos o instinto de nos calarmos.
Não brigamos, não fazemos caras feias e nem nada que gere feridas por dentro ou por fora. Apenas nos recusamos a acreditar que a pessoa que tanto amamos se comportou de forma tão deprimente, e assim, resolvemos por não falarmos durante um tempo. Esperamos as coisas esfriarem.
Confesso, que da penúltima vez fui completamente culpada pelo tratamento de silêncio que recebi. Saí, fui a um festival de rock, bebi, cheguei dois dias depois, um cara casado veio me procurar aqui em casa, e nada... Minha mãe fingiu não se importar com as barbaridades desta cabeça confusa que possuo.
Até que ontem ela resolveu se importar. Falou tanto, foi tão (superficialmente) gentil comigo, que até estranhei toda esta repentina normalidade. Pois sempre que esfriamos a cabeça, começamos tudo muito mais devagar do que estava sendo desta última vez. Achei tudo uma maravilha, até abusei um pouquinho fazendo charme e provocando a minha irmã com bobagens.
Tava tudo uma graça, minha irmã uma graça, meu irmão fazendo graça com o RPG que ele joga, até, que ela veio com a desgraça:
- Olha... Amanhã aquela moça que você odeia vem aqui em casa. E queria que você fosse gentil com ela... Por que ela...
Depois disso não respondi nem bom dia, nem boa tarde e se for pra dar boa noite, mando pra bem longe! [...] Sério, eu tenho ódio mortal da sobrinha renegada da minha família, ninguém gosta dela, ninguém a suporta, todos á afastam... E só a minha mãe fica com essa de “somos órfãs temos que nos unir”...
[há um mês:]

- Mas Toop... Ela é órfã, não tem ninguém...
- Ela órfã porque nem os pais dela a agüentaram e se mandaram desta pra melhor!!!! Meu pai odiava toda a família dela, todos os irmãos odiavam eles!!! E agora!! Agora que ele se foi vai adotar esta escrota como filha???? Se for me avisa, que saio antes!!!
- Mas... Mas...

terça-feira, 14 de abril de 2009

Jabor diz:


- Amava... amo... não sei... só sei que quando me afasto de você a vida fica mais real... as ruas, normais... o mundo fica mais democrático... me aproximo, começa o sonho, a gelatina, tudo desmanchando, os olhos nos olhos eu vou virando um ratinho e guincho, guincho e buraquinho.... pluft, entro buraquinho e começo a morar num pesadelo, as vinte sete me salvam de você, a cada uma eu ia ficando mais real... assim eu te salvei de mim também...

Em: Eu sei que vou te amar

sábado, 11 de abril de 2009

Gentileza


Saí sábado para comprar ovos de páscoa e cortar o cabelo. Voltei de cabelo novo, chocolate saindo pelas sacolas... E uma tatuagem:
Gentileza Gera Gentileza.

domingo, 5 de abril de 2009

Vida louca vidaaaa... Vida breve.



Quinta-feira meu projeto acaba e sei que quando ele acabar vou ficar sem ver um montão de pessoa que eu aprendi a gostar e odiar. Vou ter tempo pra fazer mais das minhas coisas e ser eu mesma outra vez, vou ter uma vida normal novamente e poder fazer das minhas loucuras pela cidade. Vou viver!

Minha vida mudou tanto desde que comecei esta maratona, que nem pude ponderar as coisas boas que aconteceram, nem pude agradecer aos céus toda esta energia boa que recebi dessa gente bacana que me rodeia, nem vi que o céu continuava azul:

- Pai... As coisas mudaram aqui em baixo. Sinto falta de você como sentia ontem, semana passada, um mês, dois, enfim, desde que o senhor se foi o espaço ficou aqui inteirinho no peito. O nó na garganta ainda ta bastante presente, aquele nó que você sabe que eu tinha quando pequena, aquele aperto, a falta de ar as lágrimas... Enfim... Toda aquela angústia de quem faz de tudo para ser feliz, mas sem você aqui, consigo só ser feliz pela metade. [...] A mãe ta bem, sente falta de ti todo dia, suspira quando te vê em foto e quando vai chegando o dia do mês em que te viu pela última vez... Vai ficando quietinha, com o nó na garganta (somos parecidas até nisso), dá pra ver de longe que tu morava tanto dentro dela, que nem ela mesmo imaginava.[...] A mana ta serelepe como sempre, ta de recuperação a danada! Estamos nos esforçando pra ela fazer os temas e estudar... Mas sabe como ela é né? Gosta de sombra, água fresca e um cafuné... PS: ela continua manhosa e continuamos tratando ela como bebê, nós fingimos que não, e ela finge que acredita. [...] O mano ta bem pai. Trabalhando como sempre, bagunceiro como toda a vida vai ser e namorando com uma menina muito bonita, eu gosto dela, gosto de ver ele cuidando de alguém... Gosto de ver que o amor faz dele mais humano. Normal né? [...] Eu to bem pai. Acordando às 5h e 30min todo dia, estudando e ralando muito. [...] Estou vivendo uma vida bem diferente da que o senhor conhecia, sou mais madura, mais firme e responsável... Sou adulta pai! Pena que não deu tempo de o senhor ver que eu ia ser feliz assim, que eu ia deixar todos aqueles amores estranhos para trás, que eu ia me amar mais, ia ser mais eu. [...] O senhor sempre disse que eu tinha que me amar primeiro, que os outros sempre seriam os outros, que eu sempre seria eu contra eu mesma.... Cê tinha razão pai. [...] Tenho tantos amigos, e amigos de verdade mesmo, aqueles que ficaram quando eu não tive mais tempo pra nada, que me procuraram quando eu não pude atender, que me mandaram tanta energia positiva meu pai, que nem você aí de cima poderia sentir quanto me fizeram bem. [...] Eu vou cuidar de mim pai, viver a minha vida e ter meus sonhos, penso nisso todos os dias, penso em ti. Não quero esquecer a tua voz, teu peito sempre aberto pra mim e seus olhos verdes, quero que você sempre more em mim, que não se perca com o tempo....

Se fosse pra pedir, te pediria isso:


- Me ajuda a te ter sempre aqui pertinho de mim, tua lembrança boa, teu afago carinhoso e atenção constante. [...] Seja esta estrela aí, brilhando pra todos... Mas não permita que o pessoal aqui se esqueça deste amor imenso que sentimos por você. [...] Te amo, sempre e pra sempre... E não se preocupa, mando notícias sempre.

“PAIÊÊÊÊ!!!”