Eu era infinitamente enrolada com o Joel quando me aproximei deste cara, quando achei aquela voz de veludo, a voz mais bacana que eu poderia escutar. Quando eu fiquei BURRA outra vez. Emburreci e não consegui arrancar Joel do peito, marquei encontros e perdi datas... Quase me perdi com ele.
Loucuras de dias sem que ninguém me visse pela rua, pelas festas ou bares. Sumi de tão feliz.
Eu tinha medo de perdê-lo. Mas não deixei de marcar encontrinhos com o meu amigo, troca de livros, caminhadas pela madrugada e uma noite de álcool. Lembro como se fosse hoje:
- Estávamos nos divertindo muito. Eu tinha me esquecido o que era sair para rir com uma pessoa tão agradável... Peguei o chapéu dele e o coloquei. Estraguei meu cabelo, mas lhe arranquei gargalhadas deliciosas e inesquecíveis.
Quando tocou Beatles e eu fiz questão de dançar sozinha, ele me abraçou e disse “não esquenta”. Era estranho abraçá-lo pela primeira vez. Não era primeira vez, mas era como se fosse a única que devesse ser lembrada.
Ele tinha um perfume tão bom, a voz era tão veludo e o coração estava tão perto. Ele estava tão próximo de mim, que já não sabia mais quem estava roubando o ar de quem. E quando ele se inclinou, eu não ouvia o Paul cantando “Hey Jude”... Eu não ouvia mais nada.
Meu celular vibrou no bolso da camisa, ele se afastou e me olhou como se algo estivesse prestes a ser quebrado:
-Alô.
-Toop. Aquei é o Joel. Vem aqui fora... Estou aqui na frente. Quero falar como você.
-OK.
Eu devolvi o chapéu. Disse que tinha coisas importantes para resolver.
-Você volta?
-Não mais.
[...]
É até difícil de acreditar que este tipo de coisa aconteceu comigo, que eu ainda cometa erros tão primários. Amigos são só amigos e namorado se arruma outro. Coisas que eu deveria ter decorado aos 13 anos. Coisa de amador... Erros que me fizeram rir como nunca, dançar e ver aqueles olhinhos de avelã bem de perto... Quase grudados nos meus.
Porque será que continuo errando?



